Os Caminhos do Agronegócio Brasileiro
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Em termos de evolução da sociedade, as últimas décadas foram notáveis no sentido de sepultar velhas idéias e teorias acerca do desenvolvimento econômico das nações, e a década de noventa, foi particularmente importante no sentido de definir as tendências que sem dúvida dominarão o processo de formulação de políticas macroeconômicas nos anos vindouros, com reflexos poderosos em todo o agribusiness mundial e nacional.
Na área econômica, estão praticamente cristalizadas as seguintes tendências: redução do nível de intervenção do Estado na economia, integração cada vez maior dos mercados mundiais com maior competição e maior peso das variáveis sociais e ambientais no cálculo econômico.
O processo de intervenção do Estado na agricultura tem sido bem mais complexo porque tem ocorrido em alta escala, de maneira mais ampla e persistente que em outros setores, tanto nos países desenvolvidos como nos países desenvolvimento. Nos primeiros, ocorreu na forma de transferências ou subsídios para proteger o setor contra oscilações nos preços e na renda (geralmente dentro da ótica da segurança alimentar e do principio da paridade), com fortes tendências a se perpetuar. Nos demais, aconteceu via taxação, confisco cambial etc, para extrair os excedentes necessários ao financiamento do processo de desenvolvimento.
De qualquer maneira, entre os estudiosos dos problemas agrícolas, existe uma quase unanimidade de que, em nível mundial, tanto os produtores agrícolas como os consumidores foram prejudicados com o excesso de intervenção. A conclusão básica é que o excesso de intervenção prejudicou o esforço global de desenvolvimento (restringindo as exportações da grande maioria das nações em desenvolvimento), trazendo crescentes doses de sacrifícios para as populações envolvidas e provocando uma redução considerável no nível de consumo de alimentos em função da manutenção de preços artificialmente elevados nos mercados domésticos.
Para delinear os prováveis caminhos do agronegócio brasileiro, a médio e longo prazos, é necessário primeiramente entender que a base do agronegócio é a agricultura. Portanto, esse setor não pode ser visto com um setor estanque ou isolado dentro da economia, com forte tendência de queda na participação do Produto Interno Bruto nacional na medida em que o processo de desenvolvimento ocorre.
A agricultura deve ser vista como o centro dinâmico de uma série de atividades econômicas, que envolvem as atividades de produção agrícola propriamente dita (lavouras, pecuária, extração vegetal), aquelas ligadas ao fornecimento de insumos nas ligações para trás (backward linkages), as relacionadas com o processo agroindustrial e as que dão suporte ao fluxo de produtos até a mesa do consumidor final, nas ligações para a frente (forward linkages). Nesse sentido, no suporte à produção vinculam-se com o setor agrícola as indústrias de fertilizantes, defensivos, máquinas e equipamentos agrícolas,financiamentos (crédito rural para investimento e custeio), pesquisa agropecuária e os transportes desses insumos.
Na fase de distribuição e processamento vinculam-se os transportadores dos produtos agrícolas, a agroindústria, os agentes financeiros que apoiam a comercialização, os armazenadores e o comércio (atacado e varejo), neste último encaixando-se inclusive o importante subsetor de alimentação comercial (restaurantes, lanchonetes, bares, etc). O agronegócio representa aproximadamente 28% do PIB total do Brasil, que em 2001 alcançou perto de R$ 1,3 trilhões e é responsável pelo emprego da maior parte da População Economicamente Ativa (PEA) do país.
O potencial do agronegócio nacional em termos de área cultivável impressiona. A área total de mais de 210 milhões de hectares (24% do território nacional) da região dos cerrados equivale à metade da área total do México, e nela ainda estão inexplorados cerca de 90 milhões de hectares, uma área equivalente à toda a área da China e dos EUA, que são os dois maiores produtores mundiais de grãos.
Nesse contexto,o Brasil tem condições de operar em larga escala no agronegócio internacional, pois é o único país no mundo, com uma infra estrutura razoável, que dispõe em abundância do fator de produção mais escasso em escala mundial: terra agricultável. O que é preciso é que se busque o máximo de eficiência em todos os elos da cadeia produtiva e que o Setor Público crie um ambiente econômico favorável ( que envolve basicamente a modernização da infra-estrutura logística e mudanças na estrutura tributária e nas leis trabalhistas) para que o agribusiness nacional possa operar com segurança e competitividade na conquista de novos mercados e procure com mais vigor e determinação eliminar as distorções que ainda afetam o comércio internacional.

por Carlos Nayro Coelho

Texto completo disponível em:
http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/economia/agric/caminhos/apresent.htm

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