O Marketing e o Agronegócio

Por razões desconhecidas, o agronegócio tem sido deixado em segundo plano em nosso país. Nos países civilizados ocupa posição de destaque por diversas razões, tais como: grande gerador de emprego; segurança alimentar; manutenção do ecossistema; qualidade de vida e geração de renda, para ficarmos nestes poucos.
Até o final deste ano o setor agropecuário produzirá, com produção, desculpe, e não com especulação, um superávit na balança comercial do setor, superior a US$18 bilhões. Mas a balança comercial do país deve apresentar um superávit de US$2,5 bilhão. Donde se conclui, para quem quer enxergar, que o setor é a locomotiva do país que, segundo o Presidente, se extinguirá se não exportar. Por conseqüência, estamos vivos graças à agricultura.
Com estas premissas, seria óbvio que todos os Ministérios e Secretarias, Legislativo e Judiciário, enfim, toda a sociedade, cultuasse o produtor rural e as empresas envolvidas com o agronegócio que tem, como alicerce, a agropecuária.
Isto não acontece. O Ministro Pratini de Moraes, homem de visão global, compreende a importância de sua pasta mas tem dificuldades em convencer seus pares. Há qualquer ranço, coisa da época colonial, que considera o produtor rural uma categoria inferior. Algo parecido aconteceu com Hitler, em relação aos judeus.
Todo plano econômico tem sido adubado com suor do campo. E tem dado certo. Este último, além do suor, usa o sangue do homem do campo. Vá ao sacolão do seu bairro e compare os preços de hoje com os de 1994. São aproximadamente os mesmos. O oposto acontece com os preços dos setores prestigiados ou privilegiados pelo Governo: combustível, telefonia, bancos, energia, saneamento, medicamento etc. A privatização de empresas públicas lucrativas, com destaque para energia e telecomunicações, tinha por base o argumento de que eram lucrativas em razão do monopólio e custavam muito aos cofres públicos. Hoje vejo como balela. O setor público assaltava seus cofres para atender injunções políticas e cobrir rombos de outros setores e, até mesmo, de empresas públicas absurdas como hotéis, distribuição de ferramentas e implementos, supermercado etc.
Veja o exemplo do dia, de exploração do campônio: o produtor vende o leite a R$0,25 o litro. Para comprar 1 litro de água mineral são necessários 3 litros de leite. Para tirar o leite nosso de cada dia o produtor tem que criar a bezerra, vacinar, alimentar, levantar de madrugada, muitas vezes debaixo de chuva, pegar a vaca e tirar o leite. É trabalho de 24 horas por dia. Cobra, pestes, lama, atravessador são alguns inimigos com os quais luta diariamente.
É neste cenário que apresentaremos o Marketing do Agronegócio. É parecido com o tradicional, o marketing que tem feito a diferença nos negócios dos últimos 60 anos. Alguns aspectos serão revistos, nuanças típicas de um negócio antigo num mundo com necessidades novas. Há séculos degrada-se o meio ambiente. Os países desenvolvidos, criaram suas riquezas ou explorando outros povos ou dilapidando o ecossistema, ou ambos.
É sobre este ângulo que o marketing terá que encontrar seu caminho, sempre com o princípio básico de “atender às necessidades dos clientes”, que, é bom que se fale, já caducou. Hoje deve “surpreender”, sem chocar, o Cliente. Utilizar e defender, cada vez mais, investimentos em pesquisas de novos produtos, processos e usos.
O marketing do agronegócio conviverá com os resultados dos centros de pesquisa e a preservação do meio ambiente.

Marcos Garcia Jansen
Diretor de Política Agrícola - SEAPA

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